domingo, 8 de março de 2015

Uma aurora Boreal


Uma vez fotografei um raio no céu, qual não foi minha alegria ao captar em minhas lentes amadoras a imponência e o poder mais intenso da natureza. Mas agora, imerso na atmosfera do ártico, em cima de um lago congelado no meio da noite, à luz apenas da lua cheia, fico a pensar na história que me trouxe a este momento frio. Todas as aulas dadas, todas as provas corrigidas, todo o trabalho feito, para que tivesse oportunidades de, entre outras coisas, conhecer uma das regiões mais enigmáticas do planeta, ao menos para mim. Visitar o frio do ártico, na minha adolescência, tinha a mesma probabilidade de acontecer quanto ir visitar a lua. Aos poucos as chances foram aumentando, e de repente o que era improvável se tornou possível. E hoje estou aqui, com a companheira que escolhi, realizando mais um sonho.
Nesse momento, a natureza com um ato de candura nos recompensa e mostra dessa vez, não seu enorme poder, mas sua delicadeza. Aos poucos o céu estrelado foi sendo preenchido por uma luz verde, provinda de lugar algum e indo a lugar nenhum, que ficava cada vez mais intenso. A luz parecia se mover pelo céu, suave, como se dançasse a um ritmo ditado pelo próprio Criador. Surreal, parecia irreal, mas ainda assim estava acontecendo na nossa frente, simples e majestoso como um milagre. As luzes foram crescendo em intensidade e se espalhando pelo céu cada vez mais. Agora não era apenas verde, mas vermelho, rosa, as vezes cores que não consigo definir, uma mistura, uma aquarela de luz pintando o céu noturno. Aos poucos, como um espetáculo que se encaminha para o fim, as luzes vão se apagando, o céu volta a sua cor original, dominada pela luz da lua. Pelo resto da noite, luzes esparsas se formam pelo céu, lindo, mas nada comparável aos 3 minutos que perdurarão pela eternidade em nossas mentes. 

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